terça-feira, 17 de maio de 2016

Como ajudar seu filho a vencer os medos?

Sentir medo é algo natural da infância. Os medos estão presentes na infância, na adolescência e na vida adulta. Quando criança, os mais comuns são o medo do escuro, de trovão, de estranhos, da morte, de animais, de monstros, de dentistas, de os pais não voltarem pra casa e de se machucar Mas como podemos ajudar as crianças a enfrentar seus medos?

É muito mais fácil enfrentar os medos quando oferecemos ajuda. Sentir que podem contar com os pais e responsáveis é um apoio muito importante para a criança.

  • Histórias de ogros, bruxas, fantasmas são apenas personagens de contos e filmes. Nunca use dos personagens para conseguir que a criança faça algo, como dormir e comer, por exemplo. 
  • Não ria dos temores que a criança sente. Quando comentamos o medo que ela sente na frente de outras pessoas, diminuímos a sua confiança. Não diga, e não permita que outras pessoas digam, ao seu filho frases do tipo: “não seja bobo”, “que vergonha sentir medo disso ou daquilo”, “não seja covarde”... Isso só faz a criança perder a confiança nos adultos.
  • Não minta quanto aos medos. Se a criança sente medo de injeção, não diga que quando for tomar a vacina não vai sentir nada. Fale da importância do procedimento, que a dor existe e que pode ser controlada com apoio e carinho. Se a criança sente receio de transitar pela escola sozinha, não a obrigue. Ajude a enfrentar a verdadeira situação criando etapas e acordos. Procure descobrir se algo aconteceu, ou acontece dentro da escola, visite o ambiente junto com ela e ajude a criar formas de defesa para o que sente.
  • Evite transmitir seus medos para seu filho. Adultos sentem medo de sapo, aranha, barata, avião... Mostre como você faz para enfrenta-los. A forma como enfrentamos nossos próprios medos dá aos nossos filhos um norte a seguir.
  • Não obrigue a criança a enfrentar os medos sozinha, antes que esteja preparada. Deixe que sinalize que está confiante. Obrigar só aumenta da sua ansiedade e o medo. Se mesmo depois que tenha ido dormir na casa de uma amigo, resolva que não se sente mais segura para isso, por exemplo, deixe que ela decida a hora de voltar a dormir fora novamente. Obrigar só vai transformar o evento num problema. 
  • Não valorize o medo, mas também não ignore. A proteção demasiada ao medo pode prejudicar também a sua confiança, mas ignorar faz com que se sinta perdida, sozinha. É preciso encontrar um equilíbrio. Imagem
Segunda a Psicóloga e Psicopedagoga Ana Paola Dias dos Reis, o medo é um sentimento primitivo que faz com lidemos com o meio de forma mais adequada e saudável possível. Evitamos ou enfrentamos a situação.

O medo pode ser uma ansiedade natural do desenvolvimento e de acordo com o ciclo vital da criança, como pode tornar-se uma fobia. O medo passa a ser um problema quando causa um sofrimento e é nisto que os pais ou um profissional podem ajudar a criança a lidar. Segundo ela, o importante é conversar, ouvir e respeitar o momento da criança e considerar, caso persista, a orientação de um profissional adequado, que é o psicólogo clínico.

A violência urbana tem prejudicado demais as nossas vidas. Nós adultos vivemos em alerta e andamos tensos pelas ruas. É inevitável não passar esses temores para as crianças, mas precisamos ajuda-los a identificar os perigos.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os medos desaparecem enfrentando a situação de cara. Todo mundo tem o direito de se acostumar com uma nova situação pouco a pouco. E cada medo precisa ser avaliado, porque nem sempre ele precisa ser vencido. Afinal qual a importância de vencer o medo de sapo ou aranha, por exemplo. Você não precisa e não quer conviver com esses seres que abomina. Agora vencer o medo de cachorro pode tornar a vida mais divertida. Pular de paraquedas não precisa fazer parte da vida de todas as pessoas, pois nem todo mundo é aventureiro, mas não conseguir sofrer com o medo de voar pode limitar grandes prazeres, como conhecer lugares incríveis, estudar e trabalhar em outra cidade, estado ou país.

Eu tenho medo de sapo e avião de uma forma inexplicável. Meus filhos sabem dos meus medos e me ajudam a enfrentar. Conversamos sobre como cada um desses medos pode atrapalhar a nossa vida. De sapo quero distância, mas permanecer dentro de um avião é algo que trabalho a cada viagem.

E você, como lida com os medos dos seus filhos?

Ana Paola Dias dos Reis é Psicóloga Clínica, adulto e infantil, Psicopedagoga e Psicóloga Corporal - CRP 08/07539-9

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