quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O uso da chupeta é bom ou ruim?

Esta é uma das centenas de dúvida que surgem entre os pais quando chegam os bebês. Usar ou não usar a chupeta? Quando chegamos da maternidade, muitos itens para o nosso bebê já estão comprados. Outros vamos adquirindo a medida que surgem as necessidades. A chupeta é um desses itens que compramos ou ganhamos de presente sem mesmo saber se vamos ou devemos usar.

Por aqui não foi diferente. A chegada dos bebês fez com que ganhássemos de presente chupetas e mais chupetas. Porém na primeira consulta ao pediatra já fomos alertados das vantagens e desvantagens de fazer uso da chupeta e em que momentos poderíamos apelar para ela.  

Nós já não estamos mais nessa fase dos bebês, mas lembramos bem dos tempos em que um de nossos filhos fez uso da chupeta, como era apegado e como sofreu para deixá-la. Hoje, sabendo mais sobre o assunto, talvez não fizesse uso dela. Querendo ajudar outros pais que estão na fase bebê ou tentando se livrar da chupeta, consultamos a Drª. Viviane Vivaldi, nossa especialista quando o assunto é cuidar da boquinha dos pequenos. 
Chupeta significa pacificador, o que tranquiliza ou acalma.


Para a Drª Viviane, introduzir a chupeta ao cotidiano do bebê acarreta modificações de comportamento, trazendo vantagens e desvantagens. É importante conhecer as reais consequências de um uso muito frequente antes de tomar a decisão de utilizá-la. Segundo ela, a necessidade do bebê de sugar é mais forte durante os primeiros meses de vida, também conhecida como fase oral. Colocar as coisas na boca é a maneira o bebê tem de aprender e descobrir seu mundo. Com ou sem a chupeta, o bebê descobrirá rapidamente que seus próprios dedos e mãos são bons para chupar.
 
Veja os cinco tópicos mais marcantes e as principais consequências do uso prolongado da chupeta em bebês e crianças selecionados por ela:

1. O hábito de chupar chupeta interfere negativamente sobre a amamentação: Pesquisas científicas comprovam que as crianças que param de mamar usam chupeta com mais frequência do que aquelas que são amamentadas por um período maior de tempo, sugerindo uma relação entre esses dois fatos. Além disso, a sucção feita em um bico artificial leva à perda da tonicidade e a alteração dos músculos da face, principalmente dos lábios e da língua, o que pode levar o bebê a não ser mais capaz de mamar o peito da mãe da maneira correta. Quando o bebê diminui a procura, diminui a produção de leite. Esse fato pode até mesmo interferir no ganho de peso da criança.

Não oferecer bicos artificiais ou chupetas é um dos Dez Passos Para o Sucesso do Aleitamento materno, uma cartilha elaborada pela Unicef em parceria com a Organização Mundial da Saúde e recomendada pelo Ministério da Saúde do Brasil.

2. O uso da chupeta causa deformações na estrutura óssea da boca e do rosto: O costume de chupar chupeta acaba causando deformações no desenvolvimento das estruturas da boca e do rosto, intimamente ligadas ao esforço repetitivo e artificial imposto pela chupeta.
 
* O lábio superior pode ficar encurtado, enquanto o lábio inferior pode se tornar flácido e virado para fora.
* A pele do queixo pode ficar mais enrugada ou a língua menos tonificada alterando a fisiologia da região da mandíbula. Os ossos da face crescem de forma desarmônica, enquanto as arcadas e os ossos nasais sofrem estreitamento e desvios, como é o caso do desvio de septo, prejudicando também as funções de deglutição, mastigação, fala e respiração. Um obstáculo à cura de patologias respiratórias. 
* A mandibular também pode ser afetada mantendo a posição do nascimento, ou seja, o queixo não cresce, prejudicando a estética e a fisiologia. Segundo pesquisa brasileira de 2006, as crianças com hábitos de chupar chupeta ainda apresentam 12 vezes mais chances de desenvolver problemas de mordida do que crianças sem esse hábito.
 
3. Mito de que a chupeta não é menos nociva do que o dedo: Existe um consenso falso de que a chupeta é uma alternativa melhor para os bebês do que chupar os próprios dedos. Ao contrário do que se costuma acreditar, danos causados pela sucção prolongada do dedo ou da chupeta são bem semelhantes. O dedo é menos nocivo porque se assemelha mais ao peito, tem calor, odor e consistência mais parecidos com o do mamilo e fica praticamente na mesma posição do bico do peito dentro da cavidade bucal do bebê. O bebê chupa o dedo dentro da barriga da mãe e em períodos de desconforto e irritação provocados pelo nascimento dos dentes. Nessa fase devemos oferecer alimentos de consistência dura, mordedores, brincadeiras, carinho e atenção para ajudar a cessar o hábito de chupar o dedo. 

4. A chupeta força a respiração pela boca, que causa diversos problemas de saúde: O correto é respirar pelo nariz, onde o ar é filtrado, e não pela boca. O costume de chupar chupeta favorece a respiração errada e acaba ocasionando problemas futuros para o sistema respiratório que acaba se tornando mais suscetível a doenças em geral. A respiração bucal também ocasiona alterações físicas, problemas nutricionais e de crescimento, alterações fonoaudiológicas e do sono, como ronco, apneia, pesadelos, terror noturno, enurese noturna (xixi na cama), bruxismo e problemas na arcada dentária, dentre outros. Problemas comportamentais e emocionais, como problemas de aprendizado, distúrbios de ansiedade, impulsividade, fobias, agitação, cansaço, hiperatividade e baixa auto estima também podem ser desenvolvidos pela criança acostumada à chupeta devido à má respiração.

5. Hábitos antigos são difíceis de perder: Outro fator complicador é acreditar que o fato de que, uma vez que o bebê se acostumou com a chupeta, não será fácil se livrar dela. Retirar a chupeta de forma repentina pode gerar efeitos psicológicos complexos e difíceis de mensurar e pode levar à substituição por hábitos de sucção do dedo, do lábio ou da língua ou de roer unhas. Mais tarde podem ser substituídos por comer demais ou outros transtornos compulsivos. Porém é importante se dedicar com carinho e atenção a mudança desse hábito.
 
Para a especialista, os pais devem priorizar a alimentação no peito o tempo máximo possível e levar em consideração os fatores listados acima antes de optar pela chupeta, mas a decisão cabe a família, assim como a hora de usar e como e quando parar, mas cabe aos profissionais da saúde oferecer subsídios para que tomem a melhor decisão na introdução e retirada.


Viese & Vivaldi
A Drª Viviane Vivaldi é formada pela PUC-PR, especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial, mãe de Raul e Giulia e colaboradora do Mãe bacana.
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Tenho uma filha de 6 meses e graças a deus ela não gostou de chupeta, mais em contrapartida agora ela não larga do peito da mãe, kkkkkkk

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    1. Que maravilha gostar de mamar. Ponto para ela. Ponto para vocês! Um grande abraço.

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