quarta-feira, 12 de março de 2014

Como falar da morte com as crianças

DICA MÃE BACANA
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Falar da morte é sempre muito difícil. Difícil porque não encontramos explicações claras, nem mesmo para a gente, quanto mais para as crianças. Mas a única certeza que devemos ter é de que é preciso sempre falar a verdade. 

No dia a dia as crianças lidam com o assunto de diversas formas. Assistem a morte dos personagens dos desenhos, da planta no vaso, do peixe no aquário e dos insetos que rondam a casa, mas dependendo da idade não têm muita noção de que é irreversível. Leva um certo tempo.

Quando a morte chega para um animal de estimação ou alguém da família, as coisas mudam de figura. Fica mais difícil lidar com a situação. Por mais que esse momento seja doloroso, é importante saber que a morte existe e que podemos e devemos viver a dor, não só para valorizar a vida, mas para se tornar uma pessoa segura no futuro.

Sem perceber, fugimos frequentemente do assunto. Nossa primeira reação é mudar o foco da conversa. Chegamos a proibir que brinquem de morto quando estão fantasiando suas brincadeiras de príncipes, princesas ou guerrilha. Mas isso é muito saudável.



Segundo especialistas, a partir dos 3 anos a criança já tem noção de quem está presente e de quem está ausente. Dos 4 aos 7 já começa a perceber que a morte é real e que a pessoa ou animal querido não voltam mais. Sofrem intensamente pelas pessoas e pelos animais de igual para igual. Por isso é tão importante dizer a verdade, de forma simples, sem fantasiar. Deixar a fantasia por conta da criança.  Já por volta dos 10 ou 11 anos que elas começam a questionar mais e nos cobram explicações mais claras. Usar explicações científicas ou religiosas pode ajudar esclarecer e entender melhor o assunto.

Por aqui, estamos vivendo esse momento difícil com a perda a avó paterna há 7 dias. Porém, parece mais difícil para os adultos, do que para os pequenos. Quando contamos a verdade de forma simples e valorizamos o que ficou de bom da pessoa querida, percebemos que tudo se torna mais fácil. As próprias crianças nos consolam. Não deixamos de viver a dor, mas criamos momentos felizes para justificar a vida de quem continua aqui.


Como estão na fase dos 8 anos, contamos a verdade desde o primeiro momento. Tentamos respeitar o direito deles de entender o clima que tomou conta de toda a família em poucos dias, justamente num momento que todos estavam festando. Fizeram algumas perguntas e mostraram muita curiosidade com os detalhes do sepultamento. Não participaram da cerimônia de cremação, mas manifestaram o desejo de estar presentes para lançar as cinzas no mar. Nessas horas percebemos que a verdade e a fé ajudam a acalmar o coração. Tem sido um grande aprendizado. 
 
E você, já viveu situações assim com as crianças?  
 
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