quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Vivendo na Holanda - Por Ana Paula Risson

7:30 da manhã, todos à mesa. Já trocamos de roupa, não existe uniforme infelizmente, e esquentamos um copo de leite pra cada um. “Nutella, appelstroop ou smeerkaas?”, pergunto já sabendo a resposta. Nutella para a Julia e requeijão para o Miguel. Enquanto o pai faz o café, a mãe arruma a mochila com o lanche da escola. Água, fruta e sanduíche. É a correria de todas as manhãs na nossa casa. Eles escovam o dente, dão um beijo no papai e correm para a minha bicicleta que além das duas crianças, está carregada com minha bolsa e laptop. 

Blog de Unhas feitas em Amsterdam para blog Mãe bacana
E lá vamos nós para mais um dia de escola e trabalho. Não pego trânsito, pedalo 5 minutos até a escolinha, depois mais 2 minutos até o ponto do ônibus que me leva ao escritório. Esta é a minha rotina em Amsterdam, minha e de muitos pais e mães que vivem aqui. Ser mãe internacional tem suas vantagens e desvantagens. Eu nasci e cresci em São Paulo, minha família toda mora no Brasil. Minha educação, minha criação, meus costumes são brasileiros. Por sorte engravidei da minha filha quando já morava um tempinho em Amsterdam, então já estava acostumada com a vida por aqui, já nem estranhava tanto mais as doideiras holandesas do dia-a-dia, já havia esquecido o que era choque cultural. 

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Veja só, eu engravidei na Holanda, pari na Holanda, então sinceramente só sei como exercer este papel na terra dos moinhos. Acho difícil comparar minha vida de mãe com outras mulheres mundo afora porque não sei como elas vivem, em quais circunstâncias. Só posso falar de mim, de como vivo aqui. Meio egoísta, me perdoem. E o que pode ser surreal para você, é a coisa mais normal do mundo para mim... 

Aqui a gente não vai no ginecologista durante a gravidez, só quando há necessidade médica, quando por exemplo a gravidez é de risco. Nós aqui vamos na parteira, que seria como o obstetra no Brasil. Se eu estranhei? Nem tanto, eu não conhecia outra coisa, nunca tinha ficado grávida na minha vida. E tudo correu bem, o parto foi um PARTO, entende? 12 horas para dilatar 4 centímetros (uhuuu, delícia gente) e vamos que vamos. 17 horas depois, sem anestesia ou qualquer outra coisa, dei à luz a este ser espetacular chamado Julia. Ela nasceu lindamente amassada, inchada, mas sem sequelas, traumas, foi um bebê fenomenal, do tipo “é tão fácil, que eu quero mais um”. E eu quis: o Miguel.
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Com o nascimento da Julia aprendi o que é ser mãe. Vi e senti na pele que a vida muda muito. Não era mais a Ana Paula que não tinha hora para chegar ou sair, eu tinha com quem me preocupar, de quem cuidar, e estava feliz. Mas a Juju despertou um sentimento novo em mim, uma saudade enorme, uma vontade de voltar pra casa como nunca havia sentido antes. Sabe aquela história de quem casa, quer casa? Então, comigo foi quem vira mãe, quer mãe. E eu queria a minha. Sentia cada vez mais falta dos meus pais. Não só para poder deixar minha filha com eles e ir fazer a unha e o cabelo (ou tomar banho direito e dormir 6 horas seguidas), eu queria estar junto, queria compartir com eles este momento que estava vivendo, queria sugar, inalar família.
 
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Felizmente meus pais gostam e podem viajar, eles vem bastante pra cá e nós vamos pelo menos um vez ao ano ao Brasil. Não reclamo. Nos falamos várias vezes por semana por vídeo (Skype, FaceTime) e trocamos milhares de mensagens via what’s app. É a tecnologia em prol da saudade. Acho que esta é a parte mais difícil de quando se vive fora, de não ter a família por perto. Eles são meu porto-seguro. 

Quer saber a parte boa de ser mãe fora do Brasil? Primeiro a liberdade. Eu crio meus filhos como acho que devo criá-los. Não tem palpite, opinião, ninguém fazendo cara feia porque acha que seu filho come demais, de menos, dorme muito ou pouco. As decisões sobre a educação cabem a mim e ao meu marido. Ponto. 

Fora isso, a Holanda é um país maravilhoso para se ter filhos. Eu adoro a mentalidade pé no chão desse povo. No aniversário, se ganha um brinquedo. Se convida alguns amigos para uma festinha mais íntima e só. Keep it simple, é o lema. E não interessa se você vem de família X ou Y, se seu pai ganha $, $ ou $$. Todos vão para a mesma escola e fazem os mesmos esportes. Aqui as coisas são mais acessíveis. Em dia de sol a gente vai ao parque, faz picnic, coisas maravilhosamente bobas.

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Eu também me sinto privilegiada em viver em um lugar seguro, onde tudo funciona. E olha que eu até sinto falta do caos brasileiro de vez em quando, mas desde que me tornei mãe valorizo muito a segurança que este país me oferece.

Acho que a vida aqui é mais tranquila. E como já disse, não tenho como me comparar com outras mães no Brasil porque não estou ai, não sei como seria minha vidinha em São Paulo com crianças. Se morro de saudades de casa? Sem dúvidas, mas estou feliz com meu estilo holandês de viver. 
Ana Paula Risson é jornalista, zmãe da Julia e do Miguel. Nas “horas vagas” trabalha full time, cozinha, corre para manter a sanidade e pinta as paredes de casa para manter a alegria. Ela escreve sobre sua vida na Holanda no blog  De Unhas Feitas em Amsterdam. Acesse e confira!
Comentários
9 Comentários

9 comentários:

  1. Muito legal essa série de depoimentos. Estou adorando!

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  2. Obrigada pelo convite, adorei participar! Beijos, Ana Paula

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    1. Oi Ana! Nós que agradecemos a sua participação. Lindo texto! Lindas fotos! Fã do seu blog. Beijos

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  3. Adorei! Liebe Gruesse aus Berlim Claudia

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  4. Oi, meu nome é Flavia e tenho duas filhas, uma de 12 anos e uma que vai completar 2 anos, estamos com a possibilidade de ir morar na Holanda, o que me deixa muito preocupada. Atualmente moro em São Paulo, e nunca morei em outro país. Queria uma ajudinha, com informações sobre escolas e adaptação.
    Vi que vc está bem satisfeita com o país e queria trocar idéias com vc, se for possível vamos conversar por e-mail, ajude uma mãe nervosa! rsrsrs
    Meu e-mail é flavia@dynaum.com
    Bjus

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    1. Oi Flavia, não fica nervosa não. Vou te mandar um e-mail. Qualquer coisa meu email é ap.risson@gmail.com
      Bjs, Ana Paula
      www.deunhafeita.com

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    2. Oi Flávia! Você vai tirar de letra! Ainda mais com as dicas da Ana Paula Risson. Fico feliz em saber que o Mãe bacana está ligando vocês. Me mande notícias da sua mudança através da fanpage ou por e-mail. Beijos

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