sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Vivendo na Argentina - Por Neda Blythman

Morar no exterior faz parte do modo de vida que escolhemos para a nossa família e o trabalho do meu marido que nos dá essa oportunidade. A vida de caramujo não é fácil ainda mais quando há duas pessoinhas envolvidas, Guilherme de 7 anos e Felipe de 2 anos. Estar longe da família não é uma novidade para mim. É que a família de minha mãe é imigrante por natureza: ela nasceu na Argentina, é a segunda geração, meu avô era de família inglesa e prussiana, e minha avo de família norueguesa. Os primos de minha mãe estão espalhados pelo mundo e hoje, com as redes sociais, ela vai retomando contato.
 
NEDA BLYTHMAN PARA O BLOG MAE BACANA
Minha primeira experiência no exterior, foi na adolescência, em 1994, quando fiz intercambio e morei um ano na Noruega. Foi uma experiência que me marcou muito, passados quase 20 anos já não digo mais que foi o melhor ano da minha vida, mas decididamente hoje sou como sou por conta dessa oportunidade. Voltei para o Brasil, me formei, trabalhei e eventualmente fui morar em Brasília com o namorado, com quem estou até hoje. Nos dois sempre falamos em morar em outros lugares, repetir quantas vezes fosse possível a experiência do intercambio, conhecer com profundidade outras culturas. Nossas férias acabavam tento um aspecto exploratório, foram poucos os lugares por onde passamos que não nos perguntamos e se a gente se mudasse pra cá?
Saímos do Brasil quando Guilherme tinha 2 anos, fomos para Cabo Verde, na África. O impacto dessa mudança foi enorme, foram dois anos de um enorme aprendizado pessoal. A vida que tive na Cidade da Praia não seria possível em nenhum outro lugar, as coisas boas e as ruins também. Em Cabo Verde, tivemos uma experiência riquíssima, fizemos amigos maravilhosos, que não vejo a hora de reencontrar. Mas lá nosso tempo era limitado, 2 anos, e explicar para um menino de 4 anos que ele ia deixar para trás tudo o que ele lembra exige muito jogo e de cintura e algo de cara de pau para lidar com os sentimentos envolvidos.
 
NEDA BLYTHMAN PARA O BLOG MAE BACANA

Chegamos em Mendoza no dia 5 de setembro de 2010. Uma cidade típica do interior, aos pés da Cordilheira dos Andes. A cidade não era exatamente uma novidade para mim (lembram que minha mãe é argentina?), foi aqui onde passei muitas das minhas férias de verão até adolescência. Mendoza é a base da família por aqui e para mim conhecer o lugar e falar bem o idioma foram fundamentais. Diferente de Cabo Verde, Guilherme não teve qualquer problema de adaptação na escola e o idioma, uma barreira superada antes do fim do ano.

Sempre se fala que o Brasil é um país de dimensões continentais, mas a verdade é que a Argentina também. Morar aqui em Mendoza é bem diferente de morar em Buenos Aires, ou em Córdoba ou em Rosário isso sem falar na vida no extremo sul! Mas, meu dia a dia aqui não é muito diferente do que eu tinha no Brasil. Talvez a maior diferença seja a liberdade de andar pela rua, as praças e parques onde os meninos podem brincar. Eu levo aqui a vida que se levava em Fortaleza há 25 anos. 

A distância da família sempre pesa muito. Alguns destinos tentadores ficam de fora por que a distancia ou os arranjos de transporte dificultam as visitas. Claro que sinto falta de ter minhas irmãs por perto, de participar das novidades em suas vidas, de ter meus pais, que meus filhos tenham contato com os avós, os primos, mas por outro lado encaro isso com naturalidade, afinal eu mesma cresci longe de uma parte da família. Também queria ter meus amigos por perto, poder reunir todos para um churrasco.

 
Agora, mais perto do fim que do começo dessa experiência na Argentina, começamos a pensar para onde vamos a seguir, que lugar do mundo vamos escolher para conhecer, viver e aprender. Há muito o que ponderar ... Nossa retorno ao Brasil deve acontecer em uns seis anos. O bebê que deixou o Planalto Central vai voltar um adolescente de 14 anos e eu não quero nem pensar em todas as perguntas e argumentos que vou ter que ouvir sobre a justiça, e a injustiça de levar uma vida assim e pelo andar da carruagem, o irmão vai fazer coro.
 
Neda Blythman de Figueirêdo, mora atualmente em Mendoza, na Argentina. É mãe por opção, jornalista e advogada por formação, casada com João Marcelo e mãe do Guilherme e do Felipe. As vezes escreve no http://www.casinhadesape.blogspot.com/

Comentários
7 Comentários

7 comentários:

  1. Adorei Neda!! Bjs de Berlim Claudia

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  2. Sempre tive curiosidade de saber de brasileiros na Argentina. A mim, me parece um país muito bonito. Além do mais, a cidade e as pessoas de Mendoza são 10 aí tb.

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  3. Só agora que consegui de ler seu texto! Que legal saber como você "foi parar em Mendoza" :)
    Bjs

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Boa tarde Neda, sou do Rio de Janeiro, advogado, juntamente com minha esposa, psicóloga, sem filhos, conhecemos Mendoza estamos planejando morar em Mendoza. Adoramos o blog e gostaríamos de saber informações sobre os documentos e outras formalidades para nosso estabelecimento em Mendoza. Há algum serviços de informação a respeito? Desde já, grato.

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    1. Oi, tudo bem? Para saber sobre a parte burocrática de vir morar na Argentina o melhor é procurar o Consulado aí no Rio de Janeiro ... sei que existe o visto Mercosul (http://www.mercosur.int/innovaportal/v/6581/2/innova.front/residir-e-trabalhar-no-mercosul) o que eu posso adiantar é que para exercer a advocacia é complicado (e nem sei se é possível) mas não sei se esse era o plano ... já validar o diploma de Psicologia é mais fácil.
      Espero ter ajudado.
      Neda

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  6. Oi,Neda.
    Planejou cursar medicina aí em uncuyo, vi que é uma cidade de uns 140 mil hab. Olhei as fotos me pareceu bonita, gostaria se possível me informar como é custo de vida aí, pois em Buenos Aires e rosário os aluguéis estão um absurdo. Olhei no vivavisos e argenprop e quase não acho apartamentos para alugar aí, poderia me ajudar com algum jornal local que tenha classificados.
    Grato.

    E como é o custo de vida, se pudesse responder me ajudaria muito.

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