segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Vivendo na Alemanha - Por Claudia Bömmels

Eu vim para a Europa em 1994, quando terminei a faculdade de Administração no Brasil. Queria ficar somente um ano estudando alemão e acabei ficando. Em 2000 conheci meu marido, que é alemão, em Zurique, e há cinco anos moramos com a nossa família em Berlim, onde ele trabalha. Temos dois filhos de 7 e 4 anos. 

depoimento para o Mãe bacana 

Como eu já havia morado em Zurique, já falava o alemão, a adaptação aqui na Alemanha foi fácil. Eu também tive muita sorte e encontrei pessoas maravilhosas, mães alemãs que tornaram-se minhas amigas e companheiras de luta. Aqui, não temos empregada nem secretária. Os avós também não estão presentes para ajudar a ficar com as crianças. Então tudo funciona bem, pelo menos pra mim, graças ao sistema de educação alemão, a minha rede de relacionamento com outras mães e com ajuda indispensável do meu marido. Meus filhos nasceram aqui, então eles não conhecem outra casa a não ser a Alemanha. Os dois falam alemão e português. 

Depoimento para o Mãe bacana
 
A língua sempre foi e sempre será um problema. Eu falo e escrevo muito bem em alemão, porque nunca parei de estudar. Eu trabalhei na Suíça durante muitos anos em um banco e em outras empresas, o que exigiu um nível de alemão muito alto. Isso sempre me estressou muito, pois ainda faço alguns erros ortográficos.

A saudade da família é uma coisa que me acompanha sempre. Uma parte dela mora na Suíça e podemos nos ver com maior frequência. Meus pais moram no Brasil e pelo menos minha mãe, eu vejo uma vez no ano, quando ela nos vem visitar. Eu penso muito sobre a velhice deles e que algum dia eles não poderão mais viajar tanto. Mas logo procuro colocar esses pensamentos de lado. Eu decidi ser feliz aqui e me acostumei com a situação. Procuro amenizar as saudades com telefonemas, e-mails, mandando e recebendo pacotes.

O meu dia a dia é assim: acordo juntamente com meu filho às 6:20 da manhã. Tomamos o café juntos e meu marido o leva para escola. Até às 8 horas tenho tempo para responder meus e-mails, mensagens, checar o plano do dia. Acordo minha filha de quatro anos, tomamos café juntas (de novo) e eu a levo para escolinha. Até o retorno das crianças da escolinha eu faço os trabalhos de casa, vou para fisioterapia (tenho problemas com a coluna), trabalho na minha revista digital e no meu blog Brasileiros mundo afora. Quando eles chegam me dedico exclusivamente a eles, brincando, passeando ou fazendo as tarefas de casa.
 
Depoimento para o Mãe bacana
 
Minha vida é bem organizada aqui, porque não tenho babá ou empregada, então eu procuro não deixar o "caos tomar conta". É uma luta constante, principalmente porque eu cresci com empregada em casa. Nós sempre tivemos que arrumar os nossos próprios quartos, mas a maioria do trabalho doméstico sempre foi feita por terceiros. Todas as vezes que eu deixo "as coisas correrem soltas", eu me arrependo. Ninguém vai fazer por mim! Então é isso: colocar a meninada pra escola, colocar a roupa pra lavar, enquanto isso, arrumar a casa, limpar um banheiro ou outro, cuidar do jardim e trabalhar na revista.
 
Meu marido juntamente com as crianças fazem as compras da semana juntos e arrumam a dispensa. Eles também são muito envolvidos com os trabalhos domésticos. Cada um tem sua tarefa e o nosso sistema funciona muito bem. Meus filhos "trabalham" em casa desde que aprenderam a andar. Nem sempre de bom humor, mas eu também não arrumo a casa sempre cantarolando (risos). Se não fosse assim, eu já teria ficado louca! Eu gosto de chamar a mim mesma de Family Manager. Porque é isso mesmo, além de todo o trabalho, você tem que organizar os compromissos das crianças, levar, trazer etc. Quando tenho uma horinha de folga, penso o que vou fazer com essa horinha? Geralmente não me decido por ir a um salão de beleza, por exemplo. 

Depoimento para o Mãe bacana
 
De modo geral, não me sinto estressada vivendo assim. Cansada sim, estressada não. Mas é como eu disse: é tudo organizado de forma que o caos não vire o chefe da casa (risos).

E o ponto positivo dessa experiência?
Nossa, acho que eu cresci muito aqui na Alemanha. Como pessoa, como mãe e esposa. Aprendi a ser independente, mais organizada (sempre há o que melhorar e sempre existem aqueles dias de cão) e aprendi a me responsabilizar pela minha felicidade. Ela depende de fatores externos, mas principalmente de mim mesma. Acabei de fazer 40 anos e estou em uma das melhores fases da minha vida!

Claudia Bömmels mora atualmente em Berlim e escreve e publica a  Revista e Blog Brasileiros Mundo Afora. Mãe de Fabian e Anna Lena.

 

Comentários
8 Comentários

8 comentários:

  1. Obrigada pelo convite! Adoro esse blog! Beijos de Berlim Claudia

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  2. Parabéns pelo controle de tudo rs Ainda que as coisas caiam no caótico quando o tema é organizar as coisas que as crianças deixam para trás, é delicioso da mesma forma "trabalhar em equipe" para que todos possam exprimir esse sorriso que vcs têm. Auf Wiedersehen!

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    1. É bacana constatar que quando envolvemos todos da casa nas tarefas de organização, tudo fica mais leve. Nada perfeito, porém mais leve e divertido. Isso é que importa!. Sou fã dessa família. Abs.

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    2. Passei essa imsgem de cotrole de tudo foi? Rsrsrsrs... mas como a vida eh. Acabei de assinar um contrato de trabalho fulltine e quero so ver como sera! Confesso que estou meio com medo, mas vamos que vamos. Viele Gruesse aus Berlim
      Claudia

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  3. Respostas
    1. Olá Erzenholz. Obrigada pela visita no Mãe bacana. Abraços.

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  4. Nossa longe da família deve ser bem difícil, que bom que vocês se adaptaram bem.

    Tri-beijos Desirée
    http://astrigemeasdemanaus.blogspot.com.br

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