sexta-feira, 14 de junho de 2013

Como conversar sobre homo afetividade com os pequenos?

Na criação dos nossos filhos, muitos temas são considerados polêmicos. Educação, religião, comportamento, drogas, bullying, violência, morte, doenças, homossexualismo... Ter ou não uma posição em relação a um determinado assunto não nos exime da responsabilidade de explicar determinadas questões. Fugir de certos assunto não resolve. Esse é o nosso papel.
 
A sociedade está em constante transformação. As famílias também. Hoje assistimos a um grande debate em relação a oficialização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. As pessoas querem seus direitos de união garantidos em lei. Não estão pedindo permissão para viverem juntas. Já vivem. Querem apenas ter seus direitos garantidos. Muitas estão, inclusive, buscando formas de aumentar a família, seja com métodos de reprodução assistida, seja através da adoção. E assim, novas famílias estão se formando. 

Meus dois pais - Walcyr Carrasco
É preciso esclarecer as dúvidas que surgem na cabeça dos nossos filhos. Perguntas começam a surgir pela observação da vida. Amigos da escola são filhos de dois pais ou duas mães. Casais homossexuais demonstram afeto não só nas telas de cinema, mas na fila do supermercado, no shopping, nos portões da escola.  Não são novas relações, elas sempre existiram, é uma nova forma de viver essas relações. Para algumas pessoas isso já é considerado um comportamento comum, mas para outras ainda não.
 
Então, como abordar o homo afetividade com os pequenos quando essas relações não fazem parte do seu cotidiano? Como deixar de lado uma posição, opinião, crença e apenas explicar o que é necessário? Como respeitar essa nova família?
 
Acho que nos preocupamos demais com as respostas. Segundo especialistas, é preciso simplificar e responder apenas o que é perguntado a medida que as situações surgem. Foi assim que aconteceu conosco. Um dos nossos filhos, que tem sete anos, percebeu um beijo entre dois homens e perguntou...
 
Filho: "Mãe, aquele ali é um homem?"
Respondi: "O que você acha?"  
Filho: "Acho que sim!"
 
Passado algum tempo ele trouxe uma lição de casa com o tema famílias diferentes. Várias imagens de famílias com textos explicando as transformações. Crianças relatando que tinham irmãos por parte de mãe e de pai. Crianças relatando que foram adotadas e outras contando que viviam com os avós. Nesse momento conversamos sobre adoção e ele rapidamente disse: "Se aquele homem do beijo casar ele vai ter que adotar, porque ele não é mulher para ter filhos". Aproveitamos a oportunidade e conversamos naturalmente sobre essa possibilidade. Ele expressou a sua opinião e o assunto foi encerrado.
 
É preciso ouvir primeiro. Mesmo expressando a nossa opinião, precisamos fugir dos rótulos e dos preconceitos. É fácil? De forma alguma! Nossa educação e nossa cultura marcam e dificultam a abordagem, mas é preciso passar por cima disso e ensinar nossos filhos a enxergar o outro com respeito, independente das diferenças.

Um livro interessante é o "Meus dois pais, de Walcyr Carrasco - Editora Atica. Um livro com uma abordagem sobre o tema indicada para crianças de oito a dez anos.

E você, acha o tema polêmico ou consegue lidar bem com a situação? 
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