quinta-feira, 16 de maio de 2013

Quando o eixo muda de lugar - Por Ana Andrade

Esse mês completo 10 anos como mãe, uma mistura de vários pensamentos, lembranças e um ótimo momento para uma terapia coletiva.

Ser mãe naquele momento em minha vida foi um tapa na cara. Não consigo hoje ter outra expressão que defina melhor. Foi um tapa, que me tirou de um sono profundo, de um conto de fadas.
Mas porque será que escolhi esse tapa? Porque eu precisava, eu desejava muito ter filhos e isso se sobrepunha a vários aspectos.
 
Eu não imaginava como era difícil conciliar uma carreira com filhos, eu não imaginava como era um casamento e o pior, eu nem estava interessada em saber. A impulsividade, a paixão, o gosto pela aventura, o desconhecido caminham comigo, e já até descobri o motivador disso nos meus imensos e imersos momentos comigo mesma.
 
Lara, Gabriel e Ana

A minha felicidade sempre esteve ligada a momentos com meus amigos. Ou minha família. Isso não mudou. O que mudou depois desses 10 anos é a disponibilidade. Ou a simples falta dela.

Na última semana tive um convite para ir pra casa da prima, que é também madrinha do meu mais velho, e o papo foi assim: olha queria muito saber da viagem de vocês, tomar um vinho, estou com saudades, mas Lara anda com uma tosse, que vomita toda a roupa de cama a noite, ou seja daqui uns 15 dias nos vemos, quando passar a tosse.

Marido tem se recusado a viajar com as crianças, e eu amo viajar. É igual a respirar. Pode ser pra qualquer lugar, de qualquer meio de transporte, pode ser acampar. Marido não gosta, marido não quer. Claro ele tem suas razões. É óbvio que não dá pra ser qualquer viagem com as crianças, e as últimas viagens, tem mais esforço do que prazer, ou seja, Ana se liga, a vida mudou!

O interessante disso tudo que sabemos que a vida mudou, que tem coisa que não encaixa, mas como fazer com o que desejamos e sentimos? Aprendizado. Aguardar o tempo certo. Lidar com as frustrações. Sabe aquilo que temos que ensinar aos filhos? Dizer a eles que eles não podem ter tudo o que querem, que devem ser gratos pela vida, saúde, casa e tals? Que vão ter que lidar com aquilo que escolheram? Pois é, isso se chama educar, nos educar. Então, eu tenho me educado. Não posso ser a "reclamona" do mês, porque não consegui comprar ingressos pro rock in Rio, simplesmente não dá. Então o que dá?

Dá pra curtir os filhos, e eu curto muito. Gosto de brincar com eles, gosto de conversar. Gosto de ficar só observando. Gosto de arrumar as roupas e separar o que ficou pequeno. Gosto de espremer uma laranja pro lanche. Gosto de assar biscoitos e vê-los felizes esperando para comê-los. Gosto de receber eu marido em casa a noite, e gosto de assistir um filme com ele abraçadinha. Gosto de deixar as crianças na escola e ter um tempo pra mim, seja pra sentar com uma amiga para almoçar com calma, seja para fazer compra no mercado, seja pra pagar uma conta. Tem uns cinco anos que descobri que podia ser muito feliz simplesmente por existir.

A pressão pela felicidade nos moldes que eu havia planejado, foi embora, se esvaiu. Sobrou espaço pra ser feliz. Tem dias que estou de olheiras, mas estou feliz. Tem dias que estou de pijama levando filho no judô, mas estou feliz. 

Há uns meses liguei para uma amiga: Olá queridona, como está? Tudo bem? A voz do outro lado não estava legal, fiquei preocupada. Depois veio uma pergunta: Ana, porque você está tão feliz? E fiquei mais feliz de me saber feliz! 
 
Ana Andrade é formada em arquitetura, casada com o Alexandre, mãe da Lara e do Gabriel e autora do Blog "Quase um Moleskine".
 

Comentários
6 Comentários

6 comentários:

  1. Obrigada pela oportunidade, fiquei muito feiz de escrever aqui, e remexer nos meus pensamentos!

    Um beijo, com carinho, Ana

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    1. Obrigada eu! Mais uma contribuição das delícias da maternidade. Aprender o tempo certo pra tudo. Aceitar e ser feliz com o que se tem. É isso aí! Um grande beijo.

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  2. Que bacana Ana! Adorei seu texto... a realidade de uma mãe. Aprendemos diariamente com nossos filhos. Não é mesmo? Agradecer, agradecer é o que precisamos sempre, pois eles são tudo na nossa vida. Eles permitem que sejamos felizes com as coisas mais simples da vida!
    O que tem de melhor que o sorriso de um filho.... um carinho, uma palavra divertida...
    Um grande beijo para vocês duas.

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    1. Oi Celi! Bacana mesmo! Nós também adoramos o texto da Ana. Em muitos momentos não nos damos conta aa felicidade que temos ao nosso lado com a correria da vida e ficamos buscando, buscando... Um grande beijo pra você também!

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  3. "A pressão pela felicidade nos moldes que eu havia planejado, foi embora, se esvaiu. Sobrou espaço pra ser feliz." Lindo e verdadeiro.
    Um beijo,
    Marusia

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    1. Também adorei essa. Se livre do que te incomoda que sobra espaço para tanta coisa boa. Não é fácil, mas podemos tentar. Beijo

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