terça-feira, 7 de maio de 2013

Meus filhos, meu brilho - Por Aline Dexheimer

Minha vida sempre foi bem planejada e eu acreditava que poderia controlar tudo, pois era dessas virginianas neuróticas que achava que a perfeição existia e estava sempre correndo atrás dela.

Uma primeira lição aprendida quando desejei ser mãe é que as coisas não saem muito como planejado. Meu marido e eu planejamos um filho e ele não veio na hora que decidimos. Depois de três anos de tentativas naturais optamos em receber uma ajudazinha da tecnologia. Foi assim que tivemos trigêmeos tão esperados.  Ao longo dos últimos anos foram muitas lições aprendidas e muitas transformações.  Os lemas são: “Eu vivo um dia de cada vez.”; “Vivo o aqui e o agora.”; “Faço o melhor que posso de acordo com o que sou neste exato momento.” – Levo essas importantes lições para todas as áreas da minha vida.

Costumo dizer que quando me tornei mãe, há 10 anos, descobri meu BRILHO OCULTO e desde então ele é mantido por dias intensos de muito amor, crescimento e diversão! Para enfrentar todas as dificuldades financeiras que passamos enquanto nossos filhos cresciam comecei a escrever como forma de terapia. À medida que o tempo passava e eu assumia uma postura mais positiva e simples diante da vida, meus escritos aumentavam. Decidi, então, transformá-lo em livro que o denominei de O Brilho Oculto, onde eu conto minhas aventuras maternas e descobertas de vida. Não é um livros sobre trigêmeos, mas o que eles trouxeram para minha vida. Não é manual de vida e nem tão pouco receita pronta, eu sei, pois já aprendi que não existem, já que cada um faz suas próprias escolhas e as jornadas jamais serão iguais, mas acho válido compartilhar as atitudes bem sucedidas e mostrar que no fundo todos nós buscamos a mesma coisa: ser feliz. 
 
 
O casal Aline e Marcelo com Nicholas, Enzo, Alyssa

Lembro-me do dia que trouxemos nossos trigêmeos para casa do hospital, após longos e preocupantes trinta e três dias de UTI, os três aconchegados em seus berços enquanto Marcelo e eu babávamos na porta do quarto deles admirando e curtindo aquela sensação de proteção e amor indescritíveis e tão incondicionais. Este momento guardo na minha memória como sendo tão importante quanto o dia em que eles nasceram. Lembro-me também que naquele momento eu percebi que tinha nascido para ser mãe e que este papel seria o mais importante da minha vida, como realmente provou ser que é. Em poucos meses eu pediria demissão da grande empresa onde trabalhava e a vida me levaria para outros rumos: trabalhar em casa para ficar perto dos meus filhos. Até então, tenho feito isso e, apesar de não termos muito dinheiro sobrando, não me arrependo do que fiz. O sentimento de amor pelos filhos é algo imbatível! Se eu não fosse mãe eu seria apenas um rascunho, uma sombra, uma alma perdida! 

A vida com meus filhos trouxe uma transformação extremamente positiva pra mim. Eu realmente curti e curto cada momento e fase deles. Quando olho para trás vejo o filme de minha vida muito claro e definido. E em todos os momentos eu sei que fiz tudo que estava em minhas mãos para cada um deles. Larguei a mania de perfeição no meio do caminho como quem se livra de um saco de pedras. Não sou perfeita e adoro não ser porque aprendo com meus percalços e a vida tem mais graça. Não exigir perfeição de si mesma reflete nos relacionamentos. Quando você se dá conta que não é perfeito, entende também que ninguém é e não exige muito das pessoas, e principalmente, aprende que não deve exigir muito dos seus filhos.

 


 

Libertei-me de cobranças do passado e não me sinto melancólica atrás dele. Vejo as fotos dos meus pequeninos e não penso: “Ah, que saudade do tempo dos meus bebês!” – como frequentemente ouço algumas mães falarem. Foi um tempo bom, mas passou. E fechou um ciclo. Cada nova fase é uma aventura. Tenho lembranças ótimas, mas não me trazem melancolia porque foram bem aproveitados.

Assim como eu aproveitei bem os primeiros passos, as primeiras papinhas, as primeiras palavras, o primeiro dia de aula de cada um e assim por diante em cada peculiaridade dos três, aproveito também hoje as minhas três crianças de 10 anos que tenho e que se desenvolvem surpreendentemente. Adoro suas descobertas sobre o mundo, o sentido das coisas, a suas interpretações distintas dos acontecimentos que nos cercam, os seus gostos, suas conversas, as gargalhadas, suas pequenas independências, suas visões do mundo. Adoro quando vejo as sementes positivas que plantei neles desabrocharem a olhos vistos dando comprovações do caminho certo.

Hoje vivo meu dia, repleta de objetivos e sonhos, mas bem aberta e receptiva ao que o vento pode trazer para mim ou para onde ele me levar. Por isso, sempre que posso eu gosto de lembrar as pessoas que a vida é muito simples, portanto não nade contra a correnteza. Deixe-a que ela te leve, mas aproveite a paisagem. Todos os meus dias são comemorados porque sou mãe de três pessoas tão lindas: Alyssa, Enzo e Nicholas e não preciso mais de presente algum. Meu brilho é intenso. Sou feliz.

Aline Dexheimer é Formada em Processamento de Dados e Pós-graduada em Desenvolvimento de Software. Foi profissional de informática por muitos anos e aos poucos (para viver mais presente a vida dos seus filhos) tornou-se tradutora. Para entender, aceitar e encontrar caminhos alternativos a fim de enfrentar as dificuldades que passou na vida, começou a escrever. Mãe de trigêmeos, autora do livro "O Brilho Oculto" e da crônica "As três pipas do vovô" e criadora do jornal virtual "Eu Sou Uma Aventureira". Escreve sobre maternidade, vida e atitudes positivas no seu site. 

Comentários
8 Comentários

8 comentários:

  1. Aline... Querida amiga, companheira em horas de lágrimas, de sorrisos, dúvidas...

    Meu carinho por essa grande mulher é enorme!!

    E a história é incrível! Beijo no coração!

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    1. Oi Sheronh querida! Obrigada pelo teu comentário!Beijos

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  2. Oi Aline meu nome é Gabriela e tambem sou mae de trigemeos de dois anos e de uma menina de sete anos , minha historia é um pouquinho diferente da tua .Eu e meu marido decidimos dar um irmãozinho para a rafaela e depois de uns seis meses mais ou menos descobri que estava gravida dai veio a surpresa eram tres bebezinhos foi um susto muito grande , e entao quando estava com 28 semanas minha bolsa estourou e nao consegui aguenta pois ja estava com dilataçao então eles nasceram , foram intermináveis 112 dias de uti neo mas graças a deus depois de tudo eles estao bem ,o nome deles é Alice , Laura e o Mauricio :)

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    1. Olá Gabriela! É uma turma maior que a minha! :) Que bom que deu tudo certo! A UTI neo natal não é fácil!Os meus nasceram de 32 semanas!
      Obrigada pelo comentário!
      Beijos,

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    2. Oi Gabriela, que história bacana! Vitoriosa!!! Quem sabe não contamos essa grande história aqui? Entre em contato com o "Mãe bacana por email ou através da funpage se gostar da ideia. Beijos e obrigada pela participação.

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  3. Aline... Adorei a sua participação com um texto cheio de emoção. Obrigada por aceitar o convite e ser parceira do "Mãe bacana".
    Um grande beijo.

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  4. Obrigada Gisa pela oportunidade!
    Estou acompanhando todos os relatos.
    Beijos

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  5. Concordo com você, Aline, mania de perfeição é como um saco pesado de pedras: tudo fica mais leve e mais divertido sem ele!
    Um beijo,
    Marusia

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