terça-feira, 14 de maio de 2013

Maternidade e Felicidade em Equilíbrio - Por Marina Breithaupt

Não é bonito dizer, mas não se fica explodindo de felicidade com Beta HCG positivíssimo aos 19 anos de idade. Não mesmo. Além do fator surpresinha, existe uma total falta de vontade de iniciar uma família e assumir todas as responsabilidades que ela traria. Eu realmente não desejava isso naquele momento. Havia os sonhos da profissão que se iniciava, as viagens, as festas e todos os lugares que eu ainda iria visitar até escolher um que pudesse criar raízes por algum tempo. Eu tinha só 19 anos e nenhuma habilidade com casa e panelas. Fraldas eu só conhecia de nome.

Mas existe uma coisa, esse instinto maternal dentro da gente. E olha, ele está lá, mesmo que você acredite que a maternidade e tudo que a acompanha não seja para você. Não sei como, mas algo na gente floresce e a gente percebe que pode haver muita felicidade em um cenário aparentemente caótico. 
  
Marina, Theo e Babi

E como as dificuldades são maiores na prática! Ninguém diz que é fácil, porque simplesmente não é. Quando se juntam a imaturidade, um casal e um bebê a coisa toda se complica. Mas acho que nós poderíamos ter tido uma história muito diferente para contar, bem mais triste, mas eu acredito que para fazer tudo dar certo, é só ter aquela vontade de felicidade, se a vida te dá limões, faça a tal limonada. Nós fizemos!

Digo que crescemos juntos, nós três: eu, marido e Babi. Aprendemos tudo juntos. E acredite, nosso resultado na minha opinião foi ótimo! E com um só filho, um marido perfeito e uma vovó disponível e dedicada eu segui no meu caminho profissional, fiz tudo que queria carregando a pequena pra baixo e pra cima muitas vezes.
Quando se é mãe, parece que a gente fica tão mais forte, tanta coragem!

Depois de oito anos e com a vida toda planejada na cabeça, a surpresinha número 2 resolveu dar o ar da graça. Theo chegou! Foi aí que eu percebi que aquela tal felicidade e perfeição, na verdade não era nada daquilo. O instinto puxou algo mais lá de dentro de mim. Percebi que sim, fiz meu melhor naquele momento, mas não vi a Babi andar pela primeira vez e não a vi falar. Tudo foi registrado pela vovó. Só que naquele momento isso não me vazia falta, não sentia nenhum pesar por não estar presente.

 
Com a segunda gestação quis fazer tudo diferente. Pode ter sido a idade, a maturidade ou simplesmente por já saber o que esperar. Decidimos que eu iria parar de trabalhar, eu precisava viver aquilo de forma diferente, precisava estar presente. 

Financeiramente, acho que nunca estamos preparados para um filho, até porque enxoval e fraldas são o de menos, o bicho pega mesmo quando se inicia a idade escolar. Filhos custam caro e são para a vida toda. Mesmo assim, decidimos que eu ficaria em casa com as crianças. A renda diminuiria, a empregada sairia de cena e a felicidade aumentaria (ahhh...tá!!).

Eu livrei minha alma de traumas que eu nem sabia que tinha quando assumi todos os cuidados do caçula. Eu realmente amei fazer aquilo tudo e também vivia cansada, descabelada e nunca conseguia um tempo só para mim. Mas estava feliz, estranho né?

Quando Theo completou 2 anos, começou aquela vontade de olhar também para o horizonte e as fraldas sujas já estavam me cansando. Comecei a ensaiar uma volta ao trabalho, coisa pouca que o meu ramo permiti, sou estilista, comecei fazendo uma coleção ali. outra aqui. Trabalhando em casa. Pronto, aí me encontrei. O equilíbrio é meu segredo de felicidade. Trabalho muitas vezes com um pequeno agarrado à minha perna e esse cenário me parece perfeito. Nós mulheres e mães temos um ouvido tão seletivo, né? Nossa cabeça processa tanta informação diferente em meio a ruídos e musiquinhas irritantes.

Pra nossa salvação eu encontrei esse caminho e seguimos nele, agora sim mais felizes e ainda longe da perfeição.
Mas posso dizer que hoje tenho o melhor do melhor que se é possível ter: tenho a maternidade, a presencial, estou lá para tudo e para todos da minha família. Tenho minha realização profissional, algo totalmente egoísta, mas que sem ela me sinto menos feliz.
Ser equilibrista traz muitas alegrias, mas a felicidade que a maternidade traz é aquela de todo dia, das pequenas coisas. Não amplio tanto o campo de análise, pois como nada é perfeito, prefiro focar no que temos de melhor. Temos a melhor felicidade de podemos ter!  

Marina  Breithaupt é estilista, casada com Bruno , mãe de dois, autora do Blog "Petit Ninos"




 
Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. Fazendo a errata Minha Gente!! *Extinto maternal, não!!! "instinto maternal". Ass. A mãe que escreve com o filho no colo! heheh

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    1. Marina! Obrigada por sua participação com um texto que fala do que a maioria de nós busca: o equilíbrio. Não precisamos ser super/mega em tudo, mas precisamos nos livrar dos traumas. Ótimo!
      "a felicidade que a maternidade traz é aquela de todo dia, das pequenas coisas". Reconhecer isso é encantador! Um grande beijo.

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  2. Adoreiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
    Adoro as duas!
    Beijos

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