sábado, 11 de maio de 2013

Filhos; a felicidade e sua relatividade - Por Mari Hart

Dia desses, uma grande amiga, muito bem casada e de bem com a vida comentou comigo mais ou menos assim: "Eu não sei realmente se eu quero ter filhos. Não sei se estou pronta para uma responsabilidade dessa, de abrir mão de certas coisas. Não tenho pressa pra isso." Ela demonstrou dúvida, e deixou claro que ainda não tinha uma opinião formada sobre o assunto, apesar de ser uma balzaquiana. E então eu falei: "Passa 1 semana aqui em casa que você desiste rapidinho!"
 
Pode parecer uma brincadeira de mau gosto, mas é a realidade. Filho requer tempo, atenção, paciência e muita, mas MUITA disposição. Além das necessidades básicas como educação, ensino, alimentação, aumentando drasticamente o custo de vida de qualquer casal que deseja sua prole. Portanto, se a mulher não está aberta para tudo isso, nada faz sentido. Ter filho qualquer um pode ter, até porque não é preciso parir para ser mãe. Criá-los é que são elas!

Ser mãe é doação, entrega de corpo e alma. É reavaliar conceitos e valores, muitos que estão encruados junto com a cobrança da maternidade, como se ser mãe fosse sinônimo de felicidade. E mais; credibilidade perante uma sociedade ainda muito preconceituosa. Sim, porque experimente dizer em uma roda de bate papo entre amigos "não quero ter filhos". Certamente te olharão com desconfiança e pior ainda, como se fosse uma criminosa.

 


Pedro, Stella, Mari e Leo

A cobrança externa faz cada vez as mulheres terem filho sem ser mãe. Terceirizando a educação, seja na mão de babás, parentes ou escolas, filho torna-se muitas vezes um problema, deixando a vida um pesar ao invés de alegrar, por imposição de uma sociedade que acredita que para sermos bons, precisamos procriar. O resultado já podemos imaginar. Basta imaginar os adultos do futuro, e o berço de onde vieram.

Acho que grande parte dessa culpa (não aquela nossa conhecida culpa materna!), é das mídias que pintam a maternidade de cor de rosa, como se fosse um conto de fadas. Tentando demonstrar algo longe da realidade, como podemos ver nos comerciais de margarina por exemplo. Ninguém mostra aquele bebê fofo e sorridente gritando de cólicas em plena madrugada, as fraldas sujas nos momentos mais inesperados, e nem mesmo as olheiras de panda cultivadas pelas noites insones enquanto lambemos a cria. E o que dizer dos custos que começam com fraldas descartáveis, a enorme quantidade de roupa necessária para um ser tão pequeno e mais ainda; o "terrible twos' (e 3, 4, 5... ) jamais poderíamos supor que na fase escolar, a educação infantil poderia custar o preço de uma universidade!

Minha amiga ainda não se decidiu, e tampouco foi mordida pelo bichinho da maternidade. Mas agora eu diria para ela: A felicidade é relativa. Para mim, pouco importa ter uma pele de pêssego, sem estrias e as outras marcas que uma gravidez pode trazer, ao contrário. Me olho no espelho e tenho as melhores lembranças da minha vida! Não ligo se há um rombo na conta bancária causada por uma gestação de gêmeos inesperada. E não tô nem aí se fazem anos que não durmo uma noite inteira, tranquila. E o que dizer do tempo?! Há uma mágica que o faz desaparecer, uma conta que não fecha! Sair sozinha para fazer as unhas, cabelereiro e saidinha com as amigas vira artigo de luxo quando se tem uma quantidade significativa de filhos como eu.

Mas para mim, hoje, felicidade mesmo é acordar com o sorriso de crianças bem cuidadas, bem tratadas, de bem com a vida pela criação com apego. É ter a roupa suja de golfadas homéricas e abrir mãe de uma carreira profissional para assumir esse compromisso como eles merecem. Ser feliz, é ir a uma reunião escolar e ouvir o quanto meu filho é educado e carinhoso, apesar da dificuldade na coordenação motora fina. É andar de mãos dadas na rua aquela miniatura, com meus trejeitos e feições do homem da minha vida com o qual casei. É ter a chance de dormir 8 horas seguidas, mas ainda assim preferir velar o sono deles que dormem como anjinhos, transmitindo paz e aquela sensação de dever cumprido. Ser feliz, é uma questão de escolha. E se é possível medir felicidade de acordo com a quantidade de filhos, posso me considerar uma privilegiada! Sou feliz ao cubo! Porque 1 é pouco, 2 é bom, e 3 é mais que DEMAIS!

Mari Hart é carioca, casada com Ciro e mãe de três: Stella de 13 anos e os gêmeos Leo e Pedro de 6 anos. Fotógrafa e autora do Blog "Diário de Uma Mãe Polvo". 

Comentários
12 Comentários

12 comentários:

  1. Gisa, obrigada pela confiança e carinho! Vc é uma querida, o tipo de gente que queremos sempre por perto, mesmo que esse perto seja virtuamente!

    Um grande beijo! =)

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    1. Querida é você! Tá vendo como a maternidade enche a vida da gente de alegrias? "Mergulhar" na maternidade me fez aprender mais, viver melhor, encontrar pessoas bacanas e histórias transformadoras. Sem contar os momentos de risos e alegria. Com os filhos, com a família, com amigas de perto, com amigas de longe... Beijos

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  2. Oi Gisa
    Sou super fã dos textos da querida Mari e vim conhecer seu blog.
    Adorei!
    Parabens pelo dia das mães!
    Bjks mil
    http://blogdaclauo.blogspot.com.br/

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    1. Oi Claudia! Que bom qeu gostou. É difícil não virar fã da mãe Polvo, não é mesmo? Também vou visitar o seu. Feliz dia das mães também. Um grande beijo.

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  3. Sim! 3 é DEMAIS! Também acho!
    Te acompanho sempre Mari!
    Lindo texto!
    Beijos

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    1. Feliz Dia das mães pra você Aline!!! beijos

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  4. Suspeita pra falar. A Mari falou tudo! A maternidade e isso tudo ai q ela descreveu com perfeicao.

    Sou fa dela! Ela n sabe, mas em momentos de angustia foi nas palavras dela que encontrei forcas e parei de me sentir uma mae ruim por n saber fazer um rabo de cavalo alto na minha filha..heeheheh...pode parecer besteira, mas a sociedade e cruel, muito cruel! Nos cobra TUDO! Nos cobra perfeicao!

    Lindas palavras Mari! Sempre me emociono com o que ela escreve. Revela transparencia.

    Amei! Feliz dias maes pra mae polvo e pra vc Gisa!

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    1. Obrigada Trícia! Pra você também! Para todas nós! beijos

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  5. Que beleza esse depoimento da Mari Hart! Ela é mesmo uma mãe admirável em todos os sentidos.
    Desejo a ela e a todas as mães da blogosfera, um domingo feliz e todos os dias de suas vidas com muito amor dos seus filhos e família.
    beijos cariocas

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    1. Obrigada Beth! Pra você também. Beijos

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  6. Oi Gisa, vim conhecer seu blog e me deparei com minha ídola... Mari escreve como ninguém e Descreve a benção de ser mãe de uma forma especial.
    Muito lindo o post! Parabéns às duas! bjos

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  7. Vivemos no paradoxo. Nunca tivemos tantas escolhas e ao mesmo tempo nunca nos sentimos tão vigiadas. Diante disso, a melhor escolha é exatamente esta: escolhermos ser felizes.
    Um beijo,
    Marusia

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