quarta-feira, 15 de maio de 2013

A maternidade é transformadora - Por Nívea Salgado

Hoje, conversando com uma amiga, contei que pretendia colocar minha filha Catarina para estudar no período da tarde, por uma série de motivos. Foi quando ela me perguntou: “mas, Nívea, você não trabalha pela manhã? Como vai fazer com seu emprego?”. E sem pestanejar respondi: “Puxa, se eles gostam do meu trabalho, terão que se adaptar”. Se me dissessem há alguns anos que essa seria minha postura frente à minha carreira, eu diria que essas pessoas não me conheciam. Quando na verdade, acho que quem não se conhecia direito era eu mesma...

A maternidade para mim foi libertadora. Primeiro, uma pressão absurda, daquelas que você acha que não vai aguentar. Noites sem dormir, dias e dias totalmente voltados para o bebê, sair de casa sabendo que o bebê precisaria mamar dali a no máximo três horas, e eu deveria estar de volta. Só quem já teve um bebê recém-nascido em casa sabe como isso pode ser desgastante. Eu não sei se para não te assustar, para te poupar, ou simplesmente por instinto de autoproteção, quase ninguém fala sobre isso, o que é uma pena. Porque você fica com o sentimento de que é você quem não está dando conta; que os filhos das outras dormem a noite toda, comem toda a comida do prato, não fazem birra em público, enquanto o seu não para de chorar de cólica, por dias e dias.
 
Nívea e Catarina
Mas se você está lendo esse texto aqui, saiba que não está sozinha, que o início da maternidade é desafiador mesmo. Claro, para aquelas que se envolvem, porque terceirizar os cuidados com os filhos dá muito menos trabalho! Não, não estou dizendo que sou contra contratar alguém para ajudar, ou pedir a ajuda da mãe, da sogra, da irmã, especialmente nos primeiros meses. Mas é bem diferente ter alguém para ajudar ou ter uma pessoa que literalmente exerce seu papel de mãe por você.
Mas essa fase inicial passa, e aí é que vem a libertação! Você não sabe como aconteceu, mas começa a perceber que é uma pessoa bem diferente do que era. Aliás, uma pessoa MUITO melhor! Menos egoísta, mais prática, mais forte, que dá valor ao que de fato merece! E, olha, isso é bom demais! Eu descobri que sei falar ao telefone, fazer papinha, e embalar o bebê no carrinho ao mesmo tempo! Eu percebi que consigo trabalhar fora fazendo todo o trabalho na metade do tempo que levava, mas conseguir ficar meio-período com a minha filha. Eu entendi que é preciso aprender a dizer “não” (para o chefe que pede para você fazer hora extra, para a “amiga” que quer maquiar sua filha de dois anos, mesmo sabendo que você é totalmente contra isso), para preservar sua família. E quando você diz um “não” seguro, fundamentado, passa a ser respeitada por quem quer que seja. Enfim, o caminho é árduo, mas de uma beleza incomparável!

Nívea Salgado é mãe da Catarina e autora do Blog "Mil Dicas de Mãe".


Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. E como é difícil o processo de aprendizado para dizer um simples NÃO, não é mesmo Nívea?? E também acho que é importantíssimo dizer esse não...priorizar as coisas. A vida fica bem mais simples assim!

    bjo

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  2. Nívea, Obrigada por sua participação aqui no Blog. Uma das maiores transformações da maternidade é aprender a dizer não, mesmo. Dizer não para alguma coisas é dizer sim para outras e isso é maravilhoso! Adoramos! Um beijo grande.

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  3. Nívea,
    "Precisamos saber dizer NÃO às crianças, se quisermos educá-las", é o que ouvimos. Na verdade, também devemos dizer NÃO ao chefe, aos palpiteiros, à pressão da mídia, e também ao desânimo, à impaciência... Um aprendizado e tanto!
    Um beijo,
    Marusia

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  4. Boa Marusia! Dizer não também ao desânimo, à impaciência, à raiva... Precisamos dizer não a tudo que nos coloca para baixo. Beijo

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