quarta-feira, 27 de março de 2013

Os direitos dos empregados domésticos garantidos.

Na próxima semana começa a valer a lei que garante direitos aos empregados domésticos. Como qualquer um, os empregados domésticos querem, e precisam, ter seus direitos garantidos. Mudanças que certamente irão transformar as relações de trabalho.
 
Quem tem, ou teve, empregado doméstico sabe o quanto essa profissão é importante para as famílias. Com a participação da mulher no mercado de trabalho, fica cada vez mais difícil conciliar a carreira com as atribuições da casa e cuidados com os filhos. Mesmo para as famílias que optaram por deixar seus filhos em berçários ou escolas de período integral, cuidar da casa não é fácil.
 
Mas o custo é alto. Um empregado domésticos com salário de R$ 1.000,00, com INSS, férias e décimo terceiro custa para o empregado quase R$ 1,5 mil por mês, sem contar com o FGTS e com algumas horas extras, quando a conta sobe. Bom para o empregado, mas difícil para o empregador.
 
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Num primeiro momento o que pensamos é no aumento do número de demissões. Quem tem empregada e babá, por exemplo, pode decidir substituir a empregada por uma diarista, sem benefícios, e manter a babá. E isso certamente vai ocorrer.
 
Mas o que estamos vivendo é um momento de transformação. Muitas empregadas domésticas estão migrando para outras profissões, existe uma escassez de mão de obra e, nesse novo cenário de direitos garantidos, as empregadas domésticas que souberem aproveitar as novas oportunidades formarão o novo perfil de empregado doméstico. Mais capacitadas e reconhecidas.  
 
E os empregadores? Os empregadores terão que se virar. Cada família terá que rever seus custos, seus gastos, suas necessidades e definir o que é importante. Uma mãe que trabalha fora não tem condições de assumir tudo sozinha, ou paga os benefícios para a empregada ou diminui sua carga horária e assume as tarefas da casa. E em algumas profissões isso não é possível.
 
Para que as mães não "enlouqueçam" será preciso um entendimento de toda a família, marido e filhos, para que tudo se encaixe novamente. Porque no cenário da maternidade o que mais preocupa uma mãe é não ter com quem contar para cuidar do seu filho.
 
É uma pena que em nosso país alguém sempre tenha que pagar por uma mudança, principalmente quando essa mudança deveria ser comemorada por todos.
Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. De certo será uma grande mudança para as familias brasileiras. Afinal, acostumou-se com o perfil de que empregada doméstica não tem hora pra sair, entre outras diferenças. Mas, ainda não se pode cantar tanta vitória, pois, a maioria dos direitos que foram conseguidos precisam de lei regulamentadora. Ou seja, sem a regulamentação, não vai valer. Tomara que essas leis saiam com a mesma pressa que saiu a votação no Senado. Senão, tudo terá sido em vão...

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    1. Isso mesmo Myriam! É só o começo. Vamos acompanhar. Obrigada pela visita! Beijo

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  2. Empregada doméstica tem seu valor. E como tem! Para muitos, é também parte da família, e deve, sim, ser valorizada e recompensada pelo trabalho digno e pesado que executa.
    Mas ainda acho que ela será a mais prejudicada entre os trabalhadores domésticos. Desculpem-me se falarei uma besteira enorme. É meu pensamento inicial sobre a coisa e nada impede que eu mude e enxergue de outra maneira. Mas ela é a única que pode ser transformada em diarista. Há possibilidade de uma troca menos onerosa. Demiti-se a empregada e contrata-se uma diarista. Ou várias! Afinal, ainda assim compensará financeiramente para o empregador. As famílias das mais diversas classes contam com a ajuda de empregadas. E nem todas poderão as custear a partir de agora.
    Já as babás, além de artigo mais luxuoso (são encontradas com mais facilidade nas classes mais altas), são fundamentais e não há negociação. Falou em filho, falou em prioridade. Não tem jeito. Apesar da difícil questão de adicional noturno e hora extra que as envolve.
    Outros profissionais da categoria, tais como jardineiro, motorista de carro e até de helicóptero (como ouvi um advogado falar hoje)são mais raros e também, em sua maioria, trabalham em casas com famílias de renda mais alta.
    Ainda acho esse tema bastante polêmico. Mas, acima de tudo, torço para que essas mudanças sirvam para melhorar a vida de muita gente!

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    1. Oi Pati! Tomara que o tempo traga oportunidade para que todos possam se adaptar. Empregadores e empregados. Precisamos acreditar nas oportunidades que estão surgindo em nosso país. Quem permanecer na função de empregada doméstica tem que se valorizar e garantir seu lugar no mercado. Legal a sua participação! Beijos

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