quinta-feira, 10 de maio de 2012

O excesso na realização dos desejos

Quem não tem vontade de comprar um "presentinho" fora de hora e fazer um agrado para o filho? Por mais que tentamos nos controlar, vivemos numa sociedade consumista. As ofertas vem de todos os lados. Comerciais de TV e vitrines de lojas são os meios mais comuns de nos fazer passar o cartão de crédito e sair com a sacola. Mesmo que os pais se controlem, é comum que os avós, tios ou padrinhos presentei a criança com frequência. A criança acaba acumulando brinquedos demais.

O excesso pode transformar os brinquedos em objetos sem valor. A criança passa a ter tantos brinquedos que não consegue curtir. São tantas as opções que ela não sabe com qual deles vai brincar primeiro. 

É comum também a sensação de  frustração. Tudo que deseja ganha. Tudo fica fácil e, muitas vezes, sem graça. Basta pedir que o desejo é logo realizado. Isso quando não ganha aquilo que nem imaginava querer. A criança perde a oportunidade de sonhar e planejar. 

Não é comum presenciarmos crianças dando os famosos "chiliques" dentro de lojas. E quem já não passou por isso? Nem que tenha sido um "chorinho". Tudo depende de como a criança é tratada em seus primeiros "chiliques". Se for prontamente atendida vai aprender que pode tudo, basta chorar que ganha.

Acho que isso não tem haver somente com brinquedos, mas com o consumo em si. Comprar biscoitos e guloseimas a todo e qualquer pedido da criança também faz com que ela perca a noção de valor, prazer e bons hábitos alimentares. Inclusive tende a praticar o desperdício, querendo abrir várias embalagens ao mesmo tempo.

Percebo que dizer "sim" aos pedidos dos filhos não é exatamente um erro, mas dizer "não" é uma necessidade. Quando a gente satisfaz algum desejo mas explica os motivos, a criança entende e sabe que está ganhando algo por alguma razão especial. Isso deve acontecer da mesma forma quando precisamos dizer "não". A criança tem a grande oportunidade de aprender que tudo tem seu tempo. Aprende a valorizar os momentos, o dinheiro e o produto adquirido.


Meus filhos fazem parte de um grupo que ganha muitos presentes. Por mais que eu tenha uma enorme vontade de comprar e possa realizar algum desejo de compra, procuro explicar os motivos de estar comprando.  Quando não posso, ou não quero comprar,  explico que precisamos comprar outras coisas importantes, precisamos pagar a escola, a TV à cabo, as roupas e comida. Acho importante a criança tem uma pequena noção da realidade. Dá mais valor a tudo que compra, desde um brinquedo a um pacote de biscoitos.

Quando pintam as argumentações tento contornar explicando que existem muitas crianças que não tem nenhum brinquedo pra brincar e pouca comida pra comer. Que é importante a gente ficar feliz com o que tem e esperar um pouquinho pra ganhar. Isso tem dado certo. 

Agora, quando os brinquedos parecem que não cabem mais nos devidos lugares, faço com que selecionem e doem para quem precisa. E não pode ser um ou dois brinquedos. Tem que fazer uma seleção em tudo que tiver excesso. Isso inclui livros, revistas, jogos e material escolar. E nada de tirar somente o que não funciona. Tem que doar coisas boas. Tento fazer com que eles imaginem como a criança vai se sentir. O resultado é bem legal. 

Depois disso, ganham uma estrela no placar de desempenho semanal. Porque atitudes assim merecem ser valorizadas.





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