quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Crescimento e amadurecimento

Sabe aquela sensação de achar que seus filhos ainda são bebês?
Por mais que você perceba o tempo passando, as roupas deixando de servir, os brinquedos mudando, o vocabulário ampliando, as vontades se impondo, a personalidade se formando, temos a tendência de achar que eles são sempre muito pequenos. Sempre ouvi a minha mãe dizendo que os filhos são eternamente crianças e hoje acredito que terei essa mesma sensação no futuro. O tempo passa, passa e queremos mimar, dar colo, acariciar os nossos filhos como se eles fossem nossos eternos bebês.

Mesmo com esse sentimento de posse, procuro dar liberdade para os meninos fazerem escolhas. Se querem dormir na casa da madrinha ou da avó, sair com a tia, brincar na casa do amiguinho ou participar de alguma festa. Eles gostam de ficar um pouco longe dos pais e são freqüentemente elogiados. Nós ficamos orgulhos e tranquilos por saber que eles estão bem cuidados e com pessoas da família.

Nesse último ano os passeios da escola se tornaram mais frequentes e eis que surge um tal de acantonamento. O que? Foi exatamente essa a minha reação quando li as anotações nas agendas. Dormir fora de casa e em outra cidade? Meu coração quase saiu pela boca. Sim, por mais que estejam com a professora, uma pessoa experiente e amiga de todo o ano, nunca ficaram tão independentes.

Fui então conversar com eles na esperança que não quisessem ir. Foi então que um deles me disse decidido: - Eu vou!  Eu disse: - Como assim?  Você nem pediu pro seu pai e pra sua mãe. Aí ele me respondeu: - Mãe você não diz que não posso mentir? Agora já disse que vou. Como que não vou? Já o outro, igualmente empolgado, só queria saber se eu iria ficar triste se ele dormisse longe de mim. Se ficasse, ele não iria. Como são diferentes e como estão mudando. Como estão ficando maduros e mais seguros. Acho o máximo!

Tomada a decisão de liberar a dupla para o tal acantonamento, chegou a hora de organizar as mochilas que tinha desde a escova de dentes até uma lanterna para a noite de aventura. Recados nas agendas para a professora e telefones gravados na agenda do meu celular.

Quando acordaram, no dia do evento, já queriam ir pra escola. Era hora do café da manhã e eles queriam almoçar pro tempo passar rápido e embarcar na aventura. Meu coração aflito e eles nem aí pra mim. Me perguntei quantas vezes isso deve ter acontecido com a minha mãe e eu nem aí pra ela? Quantas vezes viajei pra outra cidade pra dançar e deixei minha mãe com o coração nas mãos? Várias vezes.

Pensei então que não tinha jeito, tinha é que tirar proveito daquela situação e amadurecer como mãe também. Consegui perceber o quanto eles são importantes na minha vida e, como na correria do dia a dia, não vivemos intensamente coisas simples como o barulho, a presença, a companhia. Mãe, Mãe, Mãe... essa ausência de chamada é legal quando tiramos um dia de folga pra namorar, viajar, mas tendo a certeza que eles estão em segurança e se sentindo seguros. Agora num passeio com a escola, dormindo longe dos pais, precisando de ajuda pra ir ao banheiro, pra lidar com coisas novas, com os medos, isso não deixa mãe nenhuma tranquila e relaxada. Mas sobrevivi. Repensei algumas atitudes, alguns pensamentos e valorizei ainda mais a rotina com meus filhos. Eles tem um espaço reservado no meu dia que adoro.

Voltaram pra casa cansados e carentes de atenção. Mesmo sendo gêmeos, como eles reagem diferente em cada situação e como criamos uma idéia equivocada na reação de cada um. Achamos que os conhecemos bem e percebemos que cada dia é um dia pra se conhecer melhor os filhos. O que saiu de casa decidido voltou carente de colo, de beijos, de abraços. Chorou sem motivo e não contou absolutamente nada sobre o evento. Já o outro que saiu preocupado com meus sentimentos e dando a impressão de estar inseguro, voltou pra casa falante, contando tudo, o que fez, o que comeu, onde dormiu, o que aprendeu e os medos que sentiu. Foi nesse momento que percebi que eles são muito pequenos ainda para algumas situações mas estão crescendo e amadurecendo a medida que os anos vão passando. Que hoje foi o passeio da escola, amanhã será a um final de semana na casa de um amigo, depois uma saída noturna e, futuramente, uma morada em outro estado ou no exterior.

Resumindo, quando não é com a gente, é muito fácil. Precisamos sentir na pele as dificuldades de cortar os laços maternos e permitir que os filhos voem. Acredito que não são só eles que amadurecem e crescem, acho que não nos tornamos mães completas no dia do nascimento é um crescimento e amadurecimento diário.

Ufa!



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