terça-feira, 22 de novembro de 2011

A presença da Mãe

Quando engravidei dos meus filhos, trabalha fora e trabalhava muito. A gravidez foi muito planejada para que eu pudesse ter todas as condições de criar e curtir a criança, mas também que pudesse continuar minha vida profissional, sem me afastar do trabalho.

Já nas primeiras semanas de gestação tive a grande surpresa de uma gestação gemelar. No momento em que recebi a notícia na sala de ultrassom só pensava em sair correndo para toda a família. Foi maravilhoso! Em nenhum momento pensei que não daria conta da "carga" que estava por vir, pelo contrário, pensei que tinha recebido o que podia carregar. Afinal carga é somente o que os envolve e não eles exatamente. Tirando as frequentes ultrassonografias que uma gestante de gêmeos tem que se submeter, minha rotina não mudou muito até o nascimento. Trabalhei da mesma forma e tive uma gestação ótima.

Assim que os meninos nasceram, continuei trabalhando, num ritmo frenético durante três anos. Sempre fui muito dedicada a profissão e extremamente organizada com a casa. Contratei uma empregada e uma babá, mas mesmo assim continuei a manter os meus hábitos de organização e condução da casa, definindo o que os meninos deveriam comer, com o que deveriam brincar, o que deveriam assistir e, ainda, o que deveria ser aspirado, lavado, passado. Ufa!

Essa rotina de manter a casa e as tarefas profissionais me levou a experimentar uma estafa física e mental. Para não afastar-me do trabalho tentei vários tratamentos para aliviar a tensão, como massoterapia e reik, mas com o tempo o cansaço foi aumentando e, somada a minha culpa por não estar vendo meus pequenos crescerem, conheci a tal da depressão. Iniciei um trabalho de terapia que durou um ano e um longo período de descobertas. Uma dessas descobertas foi perceber o quanto nos preocupamos com o que os outros pensam. Se eu parar de trabalhar, serei uma dona de casa? Uma mulher do passado? Como vou me manter atualizada? E a minha independência financeira? Como vou manter meu padrão?

Todas essas interrogações  eram, e são, presentes na minha vida, mas escolhas são escolhas! E como é difícil escolher. Quando escolhemos algo, deixamos inevitavelmente alguma coisa para trás e era nisso que eu pensava. O que é mais importante nesse momento: curtir meus filhos ou seguir trabalhando loucamente? O que vou ganhar com a escolha que fizer? O que vou perder? Descobri que ficar com eles durante uns dois ou três anos não iria me fazer perder nada, pelo contrário, iria me dar o prazer de presenciar momentos mágicos.

Hoje, um ano após a parada, continuo com as mesmas interrogações, mas percebo diariamente os benefícios da escolha acertada que fiz ficando mais perto dos meus filhos. Acordar ao lado deles, preparar o café da manhã e assistir ao capítulo legal do desenho preferido, preparar um almoço nutritivo, levar na escola com calma, dar e receber vários beijos durante o dia, buscar na escola antes de escurecer, participar da hora do banho, brincar antes de dormir. O melhor de tudo, sem pressa para definir o dia seguinte de trabalho, celular tocando ou sms do chefe. Reconheço que abrir mão da vida profissional é muito difícil e que, frequentemente, me vejo ansiosa para voltar à ativa, mas procuro me manter fiel naquilo que acredito e na escolha que fiz.

Nunca vou me esquecer do primeiro dia que os levei para escola após ter saído do trabalho. Fomos os três caminhando, era um dia de outono, tinha uma brisa gostosa, um sol brilhando, quando eu disse: Como a mamãe está feliz em levar vocês na escola sem pressa. Aí um deles disse: "Ah...E esse vento batendo na minha cara". Isso tem um preço, mas um preço que vale a pena pagar!
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